Vamos pensar em nossas aulas de Biologia. Quando pensamos em ‘cruzamento’, automaticamente associamos a reprodução sexuada, que tem como principal característica a diferenciação genética, ou seja, o descendente não é exatamente igual aos ‘pais’. Pensando nisso, lembremos da série de jogos Animal Crossing.
Animal Crossing, conhecida no Japão como Doubutsu no Mori (どうぶつの森, que significa, literalmente, Animal Forest. Por que diabos mudaram pra Animal Crossing?!) na qual você é um molequinho/manolinha que acaba de se mudar pra uma cidade medíocre que não tem nada e todos os moradores são animais, e é obrigado(a) a se tornar vassalo trabalhar pra um texugo chamado Tom Nook que financiou sua casa. Aos poucos você vai conseguindo melhorar a cidade sozinho, claro, porque nenhum maldito te ajuda e ficam só andando por aí.
Mas enfim, o primeiro jogo da série foi lançado para o Nintendo 64 em 1999 mas é óbvio que ninguém sabia porque isso foi feito só no Japão e depois recebeu um port no oriente e no ocidente para o Gamecube em 2002. O jogo fez sucesso por ser fofo e muito mais amplo que um Harvest Moon da vida. Fora que tinha muitas opções legais, como jogar Clu Clu Land, Balloon Fight e outros jogos de NES dentro do próprio jogo e descobrir uma ilha apenas sua.
Em 2005 foi lançado um novo jogo da série para o Nintendo DS, o Animal Crossing: Wild World. Que trazia como inovações o fato de terem itens (e aliens) passando no céu e de você poder desenhar em suas roupas e estilizá-las. Porém, o esquema da ilha saiu, os jogos de NES saíram e, de resto, a gameplay ficou igualzinha, tirando o modo online no qual você podia entrar na cidade das pessoas e vandalizar. É trabalhar como vassalo do Tom Nook, ganhar grana, melhorar a cidade, levar bronca do Resetti (conhecido como o personagem mais irritante do mundo, que te dá extensas broncas quando você desliga o jogo sem salvar e pode inclusive afetar sua vida de verdade dentro do jogo), ganhar grana, se relacionar com os animais (mas, claro, sem fazer nenhum tipo de cruzamento animal, porque isso seria medonho e repreensível).
O problema começou quando foi lançado, em 2008 para o Nintendo Wii o Animal Crossing City Folk, que foi criticado por todos por ser exatamente igual aos predecessores, recebendo como única inovação o suporte ao WiiSpeak, um microfone com o qual você podia se comunicar online (e que, junto com o Mic do GameCube, a Balance Board e, claro, o R.O.B., entrou pra lista dos acessórios caros que não são aproveitados da Nintendo).
Então entramos em um dilema, se em um cruzamento é pra ter diferenciação genética, porque o último jogo saiu exatamente igual (graficamente inclusive) aos predecessores? Por que continuamos gastando grana em microfones que não vão mais ser usados em jogo algum?
Podemos responder isso em uma palavra:
Trollagem.

